Mãe Iluminada

Recordo-me de dias – não tão antigos – onde havia uma certeza plausível e metafisicamente demonstrável.

Onde a verdade não variava com as circunstâncias ou com o aparecer dos fenômenos; e a segurança era estabelecida a partir de uma palavra.

Dias, onde braços abertos representavam um inexpugnável abrigo, contra o mundo incompreensível dos barulhos estranhos e grandes seres ameaçadores.

Vozes tranqüilas que serenavam as estações, fazendo o tempo adquirir outro significado para a consciência.

Um espaço de conforto, onde lágrimas podiam ser suspensas com uma canção e dias de chuva deixavam de ser tristes porque se tinha alguém ao redor.

Estes dias, que nos esforçamos para trazer da memória e que não mais se repetirão, são os fundamentos de onde tiramos a força para manter a lucidez.

Especialmente, numa época onde a proteção e a dignidade parecem ter deixado de possuir um referente. Onde a mão que deveria proteger abate-se sobre a inocência e quem tem esperança é chamado de pobre sonhador. Há uma saudade geral do que poderia ter sido.

Dos dias distantes e queridos.

Talvez, nesse oceano de consumo e corações com pouca paciência, tenhamos confundimos tudo e perdido a identidade. Chamei muitos pelo nome, queria olhar suas faces e entender suas almas, mas eles apenas me mostraram seus celulares e diziam:- Isto sou eu!

Caminhamos entre fragmentos, seres virtuais que esqueceram suas instâncias afetivas e alimentam com as sobras de seus medos, os monstros soltos pelas avenidas da ausência.

Todos querem alcançar metas e resultados, porém, quão poucos lembram  a intensidade do amor que tiveram e sob que murmúrio suave, um dia, adormeceram. Sinto por todas as mães, que partiram, libertas do torvelinho planetário, e por todas as mentes que não compreendem.

Mas, as mães que restaram ainda são capazes de cobrir de luz bilhões de existências, bem com, clamar o reparo de todas as injustiças enfrentando a pior das intempéries. Quem não desejaria sua companhia? Ser filho novamente? Quem dera!

Faz falta retornar à mansuetude, desarmando as intuições, para que se possa transformar este deserto mercado que habitamos. Causa alegria ao espírito, levar-se por inteiro e não só um mero presente. Antes que a tecnologia dos objetos, o olhar que remove quaisquer estilhaços como folhas soltas ao amanhecer.

Depois, a cada assistência requerida e que cumprimos fielmente, a cada novo abraço que se oferta àquelas que nos garantiram vir a ser o que somos, resgatamos uma pequena promissória desta dívida eterna e tornamo-nos o que realmente devemos ser.

Além do tempo, uma ponte entre Deus e a poeira das estrelas, onde cintila suavemente a Luz Humana. Que em seu pulsar ilumina e ajuda, aqueles que ainda só conseguem pedir.

Seja Feliz neste Dia das Mães!

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