Estamos no final de dezembro e as empresas já fizeram suas festas, elaboraram budgets, calendários de eventos, férias coletivas e escalas de revezamento. Tudo preparado de forma antecipada, com o intuito estratégico de mapear as possibilidades, aproveitar as novidades e impedir a chegada de surpresas não convidadas (exceto se nós soubermos primeiro).
Assim, eu também, resolvi planejar “estrategicamente” os próximos passos. Nada como conseguir chegar à máxima assertividade e não desviar o foco dos resultados, dizem os doutos. Seguirei à risca as propostas alocadas e, aproveito a brecha temporal para ganhar vantagem competitiva e divulgar minhas previsões infalíveis para 2012:
Um Feliz 2012.
No campo da qualidade: Que estejamos mais próximos. Menos armados, doentes ou solitários. Que todas as palavras desnecessárias, se transmutem em pensamentos edificantes. E que as necessárias se cumpram em todos os atos e intenções, espírito e semblante. Que não se propague a ética do mais ou menos, junto com o coro do tanto faz. Pois as crianças assistindo as mentiras da televisão, apreendem como virtude o que é apenas cinismo político. E aceitam, desde cedo o horror econômico como fazendo parte das coisas e desistem de perguntar. Roll the bones…
Que não se apequenem aqueles que pelejam no anonimato, já que a sociedade é construída sobre seus ombros. E embora, talvez não lhes desfrutem os benefícios, agradeçam mesmo sabendo que ás vezes, sistemas sociais criam tempos de pouco rancho e muitos pratos.
Mas, quando lhe permitirem opinar, deixem claro que não participam do espetáculo e que, se puderem exigirão mudanças no comando da tribo. Mas cuidado com a ira dos morubixabas: eles tentarão calar consciências com distribuição de pequenas benesses, o que – por si só – constitui o corpo de grandes ameaças. Voltemos nossos olhos, então para os desejos de crescimento e vida plena.
Vida significa a capacidade de ser e a consequência lógica de estar e permanecer. Ou seja: fazer parte intrínseca é viver. Vida significa imortalidade compulsória, já que ninguém – nem mesmo os canalhas – acreditam na existência de um fim absoluto, após a bala perdida ou a sentença tardia. No entanto, ela ainda é disparada e dá cabo de muitas esperanças, enquanto ocorrem coquetéis, palestras de vendas e festas de aniversário. Nestes mesmos horários nobres, multidões morrem a nossa direita e a nossa esquerda.
Cuidado que pode chegar a ti! Precisamos saber que, além da sujeição às leis, necessitamos de uma série de outros cuidados para não deixar apenas um vazio quando partirmos. Gentileza gera gentileza, disse o profeta. Irei lembrar-me disso, no ano que vem… Sugiro que todos façam o mesmo.
Mas, quem quiser, pode fingir que saiu e não atender quando o bom senso tocar a consciência. E deixar um recado via seu “estilo”, “liderança”, “tendência” ou qualquer que seja o seu modo de disfarçar o pânico de viver num mundo incompreensível.
Se quiser, pode apenas operacionalizar a situação e atuar nos interstícios. O que quer dizer: Ignorar as bênçãos e cultuar as abominações. Capitalizar sensações e mergulhar no vazio da acumulação ou nirvana químico. Estes são os que a tempestade recolherá como folhas e ninguém ouvirá seus gemidos.
Ainda a ideologia ou a mídia? De quantos papers se faz o mundo científico e acadêmico? Não importa, o que realmente foi provado é que a consciência é fluxo – não sinapses -, e que existimos na duração e não no espaço. Mas sempre haverá quem ignore isso e pretenda novamente rediscutir a roda. O caminho, como sempre é estreito e poucos atravessam a porta. O que não se pode esquecer é que professor também é gente.
Mas, vamos às previsões mais pontuais:
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