Aqui e Agora

Vivemos uma síndrome de denuncismo e superficialidade. Em todo lugar apontam letras, câmaras, opiniões e microfones.

São tantas as irregularidades, desmandos, desvios, corrupções e descasos, que na pauta do dia somente entram as mais escandalosas aflições.

Como aqui as coisas levam tempo para se resolver, cria-se uma situação onde a própria denúncia é esvaziada de seu frescor, solapada pela vigarice mais recente.

Instrumentos legítimos são utilizados para a metaexposição de tantas irregularidades que perdem sua aura de seriedade, não importando a gravidade da denúncia. Quem sabe, estamos cansados de tentar descobrir se o poço tem fundo…

O que gela a espinha é a hipótese de nossas endemias terem atingido um grau tão diáfano de sofisticação, que na iminência de qualquer flagrante, será melhor efetuar a denúncia como coação preventiva.

Assim, para o meliante matam-se dois toelhos: não há mais risco de ser chantageado e perder muito dinheiro e, com a ressaca no mar bravo das mazelas semanais, logo o caso será esquecido e superado pelo andar da fila. Além do mais, o trâmite agora será o da justiça e, se o dito cujo for bem administrado nas variadas brechas da lei e da criatividade brasileira, significará uma senhora enormidade de tempo. Entrementes, a vida continua. Vamos tocando. Roll the bones. Continue lendo

Publicado em Filosofia, Organizações | Com a tag , , , , | Deixe um comentário

Vendendo para Crianças

Outro dia me pediram uma entrevista sobre “vaidade infantil” e como o varejo devia se posicionar e/ou explorar o caso, especificamente nas meninas.

Bom, mandei algumas considerações, mas acho que não publicaram…

Então, passo a bola para quem tem interesse em atuar de forma ética no segmento e entender o que significa esta questão da industrialização do consumo infantil. Mesmo, porque é uma questão pertinente para o mercado, pais e educadores.

Não sei se há “meios-termos”, mas a problemática já está posta há muito tempo, então seguem algumas considerações. Não sei se realmente existem fatos ou devemos nos contentar com interpretações, mas segue a íntegra da entrevista.

Afinal, pensar é só pensar.

Continue lendo

Publicado em Organizações, Promoções | Com a tag , , , | Deixe um comentário

Quanto Vale um Cliente Fidelizado?

Quanto vale o cliente fidelizado? Aquele que é leal à marca e a defende?  Muitas vezes, vale muito pouco!

Tão pouco que determinados segmentos de mercado, insistem em maltratá-lo de todas as formas possíveis.  Os maus tratos, no caso, podem ser entendidos como a maneira grosseira e míope de tratar este ingênuo personagem pelas políticas de marketing corporativo.

Seja pela imanência de não mais ter que conquistá-lo, ou pela sensação de pertencimento, ele sempre fica para trás. Uma vez capturado Jonas, a baleia segue seu curso pelos oceanos infinitos do market share.

Não importa o que os consultores digam. Sempre que uma empresa tem uma carteira ativa fiel, ela acaba deslocando suas preocupações para os que estão lá fora. Mas, no varejo esta situação é terrivelmente preocupante, pois o consumidor acaba sendo penalizado pela briga de foice que é a conquista de clientes. Aos que ainda não compram, tudo. Aos cativos, a lei!

Por isso, segue meu aviso: – Não se deixe fidelizar, assim, sem mais nem menos! Resistir não é fútil!

Se você resistir, valerá bem mais no mercado e todas as corporações buscarão tratá-lo bem. Mesmo porque, ainda é nebulosa a questão da isonomia entre as vantagens auferidas pelas promoções entre clientes e não clientes. Alguém deveria prestar mais atenção nisso, pois viola o princípio de boas relações entre cliente e fornecedor.*

Como? Eu vou relatar um case real, uma historinha ordinária Continue lendo

Publicado em Organizações | Com a tag , , | 1 Comentário

8 Dicas para um Feedback Honesto

Ser franco e honesto é uma tarefa difícil. Poucos entendem quando nós tentamos expor, de forma objetiva, algum problema ou opinião mais fundamentada.

A maioria das pessoas reage de forma desigual aos mesmos estímulos e, não raro, furiosamente a pequenas contrariedades. O que nos leva, muitas vezes, a voltarmos atrás em nossos pensamentos e palavras, com medo de ofendermos alguém ou porque, desde crianças apanhamos por sermos “os chatos que incomodam os outros”.

Embora esse cuidado pareça hipócrita, para um purista, trata-se de uma preocupação legítima. Haja vista que estamos imersos até as tampas em uma cultura materialista, que preza apenas o bem-bom e ignora os espinhos do pequi. Explico: A maioria das pessoas quer vender apenas seu lado bom e têm subjacente a suas posturas, o medo sobre seu real valor como pessoa.

Já quanto a nós – que cultivamos a franqueza – e estamos abertos sobre nossas opiniões, sempre temos a chance de tropeçar nas inseguranças profundamente enterradas na personalidade do outro a nossa frente e isso dá origem a graves acidentes. Dizem alguns místicos que nas primeiras fases evolutivas, as pessoas reagem como animais à quaisquer arranhões, só muito depois é que aprendem a desculpar quando alguém involuntariamente lhes pisa no pé.

Esta situação me fez pensar sobre honestidade, transparência e seu lugar nos relacionamentos humanos, buscando retratar como poderíamos resolver isto de forma prática. Como também as pessoas detestam ler artigos extensos, preferindo o step by step das fórmulas salvadoras, resolvi mesclar minhas posições com as de Lindsay Fox, modificá-las para nosso tupi e oferecer um caminho possível para a melhoria dos relacionamentos interpessoais, na família e no trabalho. Seguem as dicas:

Continue lendo

Publicado em Filosofia, Liderança | Com a tag , , , , , | Deixe um comentário

Os Sagrados Campos de Caça

Será verdade, será que não? Existe alguma coisa que se possa falar? Há poucos dias, lá para as bandas do Maranhão, ouvi ranger entre dentes o disco riscado da mais estúpida banalização.

O horror cíclico do enredo de plebe rude, agora caboclinha na dinâmica de ló: – Ai se eu te pego!  Assim você me mata… Delícia, delícia!

No final das últimas tabas, um curumim dança no fogo ardente de todas as ignorâncias. Sua face pequena percorre a gritos o quintal derrubado pelo banal horror da falta de mata e a simpática conivência federal. Eu sou um coração partido na terra árida de todos os escândalos. Eu estou passando mal, em vista das carcaças, mas não posso dar uma fugidinha para esquecer. Estou só e a memória permanece.

Eu não mais consigo enxergar meu rosto, pois a fumaça sobe e a carne está queimada. Mais um inútil sacrifício Maia no planalto de todas as perplexidades. Não era realmente um Yorkshire, estes modelitos frágeis de convivência aos neuróticos urbanos.

Contudo seu porte mirim – se é que é verdade que foi acesa viva sua pira – era elevado na dignidade de suas carências. Mesmo porque foi representante da moribunda decência, escondida nos últimos refúgios de uma economia em desenvolvimento.

Continue lendo

Publicado em Filosofia | Com a tag , , | Deixe um comentário

Os Números de 2011

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2011 deste blog.

Aqui está um resumo:

Um bonde de São Francisco leva 60 pessoas. Este blog foi visitado cerca de 3.000 vezes em 2011. Se fosse um bonde, eram precisas 50 viagens para as transportar.

Clique aqui para ver o relatório completo

Publicado em Liderança | Com a tag | Deixe um comentário

Feliz 2012!

Estamos no final de dezembro e as empresas já fizeram suas festas, elaboraram budgets,  calendários de eventos, férias coletivas e escalas de revezamento. Tudo preparado de forma antecipada, com o intuito estratégico de mapear as possibilidades, aproveitar as novidades e impedir a chegada de surpresas não convidadas (exceto se nós soubermos primeiro).

Assim, eu também, resolvi planejar “estrategicamente” os próximos passos. Nada como conseguir chegar à máxima assertividade e não desviar o foco dos resultados, dizem os doutos. Seguirei à risca as propostas alocadas e, aproveito a brecha temporal para ganhar vantagem competitiva e divulgar minhas previsões infalíveis para 2012:

Um Feliz 2012.

No campo da qualidade: Que estejamos mais próximos. Menos armados, doentes ou solitários. Que todas as palavras desnecessárias, se transmutem em pensamentos edificantes. E que as necessárias se cumpram em todos os atos e intenções, espírito e semblante. Que não se propague a ética do mais ou menos, junto com o coro do tanto faz. Pois as crianças assistindo as mentiras da televisão, apreendem como virtude o que é apenas cinismo político. E aceitam, desde cedo o horror econômico como fazendo parte das coisas e desistem de perguntar. Roll the bones…

Que não se apequenem aqueles que pelejam no anonimato, já que a sociedade é construída sobre seus ombros. E embora, talvez não lhes desfrutem os benefícios, agradeçam mesmo sabendo que ás vezes, sistemas sociais criam tempos de pouco rancho e muitos pratos.

Mas, quando lhe permitirem opinar, deixem claro que não participam do espetáculo e que, se puderem exigirão mudanças no comando da tribo. Mas cuidado com a ira dos morubixabas: eles tentarão calar consciências com distribuição de pequenas benesses, o que – por si só – constitui o corpo de grandes ameaças. Voltemos nossos olhos, então para os desejos de crescimento e vida plena.

Vida significa a capacidade de ser e a consequência lógica de estar e permanecer. Ou seja: fazer parte intrínseca é viver. Vida significa imortalidade compulsória, já que ninguém – nem mesmo os canalhas – acreditam na existência de um fim absoluto, após a bala perdida ou a sentença tardia. No entanto, ela ainda é disparada e dá cabo de muitas esperanças, enquanto ocorrem coquetéis, palestras de vendas e festas de aniversário. Nestes mesmos horários nobres, multidões morrem a nossa direita e a nossa esquerda.

Cuidado que pode chegar a ti! Precisamos saber que, além da sujeição às leis, necessitamos de uma série de outros cuidados para não deixar apenas um vazio quando partirmos. Gentileza gera gentileza, disse o profeta. Irei lembrar-me disso, no ano que vem… Sugiro que todos façam o mesmo.

Mas, quem quiser, pode fingir que saiu e não atender quando o bom senso tocar a consciência. E deixar um recado via seu “estilo”, “liderança”, “tendência” ou qualquer que seja o seu modo de disfarçar o pânico de viver num mundo incompreensível.

Se quiser, pode apenas operacionalizar a situação e atuar nos interstícios. O que quer dizer: Ignorar as bênçãos e cultuar as abominações. Capitalizar sensações e mergulhar no vazio da acumulação ou nirvana químico. Estes são os que a tempestade recolherá como folhas e ninguém ouvirá seus gemidos.

Ainda a ideologia ou a mídia? De quantos papers se faz o mundo científico e acadêmico? Não importa, o que realmente foi provado é que a consciência é fluxo – não sinapses -, e que existimos na duração e não no espaço. Mas sempre haverá quem ignore isso e pretenda novamente rediscutir a roda. O caminho, como sempre é estreito e poucos atravessam a porta. O que não se pode esquecer é que professor também é gente.

Mas, vamos às previsões mais pontuais:

Continue lendo

Publicado em Filosofia | Com a tag , , | 1 Comentário